Alcácer do Sal tem sido uma casa para o Grupo de Forcados Amadores de Montemor e, uma vez mais, marcámos presença na corrida integrada na Feira da Pimel.
O cartel deste ano teve um significado especial, ao prestar homenagem ao forcado alcacerense Luís Bernad, que envergou a jaqueta do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa durante vários anos, a partir da década de 50.
Pela frente encontrámos um curro da Ganadaria Branco Núncio, numa tarde de sol e perante uma praça repleta de aficionados.
Para a primeira pega da tarde, chamei à praça o Bernardo Batista, forcado que tem demonstrado uma grande atitude e entrega sempre que enfrenta os toiros.
Pela frente teve o exemplar mais sério da corrida, que durante a lide deixou bem evidentes as dificuldades que podia apresentar, sobretudo no primeiro derrote.
No que toca à pega, o Bernardo mostrou elegância no cite, mas acabou por acusar alguma falta de leitura do toiro. O exemplar já tinha demonstrado durante a lide dificuldades na colocação, investindo por alto e procurando as tábuas, dificuldades que se foram acentuando de tentativa para tentativa.
Apesar de o ter enquadrado bem no cite, não conseguiu fixá-lo nos terrenos pretendidos, sendo obrigado a subir demasiado para provocar a investida. O toiro acabou por sair para se defender e, logo após a reunião, desferiu um violento derrote que o retirou da cara, gorando a primeira tentativa.
Na segunda tentativa, o toiro voltou a descair para as tábuas, procurando a sua zona de conforto. Mais uma vez, o Bernardo foi obrigado a pisar terrenos muito apertados e voltou a sofrer um derrote, sem qualquer hipótese de se fechar na cara do toiro.
À terceira tentativa, o objetivo era resolver a situação. Apesar de o toiro voltar a proporcionar uma reunião dura, procurando castigar o forcado, o Bernardo respondeu com determinação e o grupo fechou a pega de forma coesa.
Na segunda pega da tarde, chamei à praça o forcado José Maria Marques, um elemento com muitos anos de Grupo, conhecedor da nossa identidade e daquilo que representa envergar esta jaqueta. No entanto, este não foi um dia que lhe tenha corrido como certamente desejaria.
Nas duas primeiras tentativas, o José Maria nunca conseguiu acoplar-se à córnea do toiro. A reunião não foi a desejada e acabou por sair da cara antes da entrada dos ajudas, impossibilitando a concretização da pega.
À terceira tentativa, era tempo de resolver. O José Maria reuniu já com as ajudas carregadas, mas acabámos por tomar uma má decisão. Na ânsia de fechar rapidamente a pega, os ajudas entraram praticamente em simultâneo, acabando por se encavalitar uns nos outros e caindo na sequência de um derrote lateral do toiro.
À quarta tentativa, o Grupo soube ajustar-se ao toiro, fechando a pega sem o brilho habitual, mas da forma que se exigia.
Há dias em que as coisas simplesmente não correm como queremos. Os toiros têm a capacidade de nos colocar no nosso lugar e de nos lembrar que, nesta arte, ninguém vive apenas dos sucessos do passado. Mas é precisamente nos momentos menos bons que se revela a verdadeira essência de um forcado. É de identificar os erros, aprender com eles e voltar melhor. Tenho a certeza de que será isso que o José Maria fará.
Para fechar a tarde, que estava longe de ser a idealizada, saltou à praça o forcado Joel Santos.
Pega após pega, tem cimentado a sua posição dentro do Grupo, realizando boas pegas e revelando excelentes pormenores técnicos.
O Joel fez tudo como mandam as regras. Começou de trás, dando todas as vantagens ao toiro, e foi sempre ele a mandar em todos os momentos da pega. Carregou com decisão e o toiro investiu com “pata”. A reunião foi exemplar e aguentou dois derrotes até à entrada dos ajudas que, já nas tábuas, acabaram por facilitar, levando a que todos caíssemos uns sobre os outros, ficando o Joel praticamente sozinho na cara do toiro, com este a querer fugir para o meio da praça.
Num pormenor de verdadeiro artista, o João Afonso Comenda voltou a colocar o toiro nas tábuas, permitindo que os ajudas recuperassem e fechassem a pega.
Para quem acha que os rabejadores servem apenas para dar a “voltinha” no final da pega, aqui ficou bem demonstrada a verdadeira importância desta função, muitas vezes discreta, mas absolutamente determinante para o sucesso da pega.

𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 António Cortes P. M.
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2013 | 𝘊𝘢𝘣𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2021
Bernardo Batista | 3ª Tentativa









José Maria Marques | 4ª Tentativa










Joel Santos | 1ª Tentativa







