Dia 18 de julho foi mais um dia em que o Grupo de Forcados Amadores de Montemor teve o privilégio de marcar presença na tradicional corrida de São Cristovão, terra onde, por tradição, se fardam novos forcados com o sonho de um dia representar a nossa jaqueta.
Tinhamos pela frente o desafio de pegar três toiros da ganadaria Pégoras e um novilho de Gregório de Oliveira.
Para o primeiro toiro da noite, o António deu a oportunidade a Francisco Corrêa de Sá.
O Kiko, apesar de ser o seu primeiro toiro com a nossa jaqueta procurou desde o inicio fazer tudo como mandam os pregaminhos do Grupo, começando de trás e com os ajudas colados à trincheira.
No entanto, o toiro arrancou solto, quando ainda não tinha chegado a meio da praça. Ainda assim, fez muito bem o que lhe competia: carregou, aguentou e recuou conseguindo reunir à barbela.
O toiro acabou por criar mais dificulades aos ajudas do que ao forcado da cara, rodando sobre si próprio à entrada do Grupo, o que deixou o Kiko alguns momentos sozinho na cara do toiro. Ainda assim, o Kiko manteve-se firme, muito bem agarrado à barbela, e o Grupo recuperou e fechou a pega com eficácia.
Para o nosso segundo toiro, o António escolheu o Miguel Casadinho, que tem crescido muito como forcado de cara e está a poucos passos de assumir grandes responsabilidades nessa posição.
Mais uma vez o grupo começou por dar as distâncias certas ao toiro. O Miguel citou bem e calmo, mas o toiro acabou por arrancar solto. O Miguel pouco carregou, aguentou, mas o momento de recuar e da reunião acabou por não ser o melhor, e, como não conseguiu encaixar-se bem na cara do toiro, o que acabou por dificultar a forma como se teve de agarrar ao toiro, saio da cara já mesmo a chegar ao pé do primeiro ajuda.
Na segunda tentativa, já fez uma reunião como nos tem habituado, levando uma viagem tranquila com uma boa primeiro ajuda do João Camelo, e, juntamente com o grupo, fecharam a nossa segunda pega da noite.
Para pegar o nosso último toiro foi escolhido mais um forcado natural de Montemor – João Camelo. Apesar de já fazer parte do núcleo duro dos ajudas, as boas prestações que tem vindo a realizar nos treinos, nomeadamente a pegar de caras, levaram o António a dar-lhe a oportunidade de pôr o barrete e citar um toiro pela primeira vez com a jaqueta do Grupo.
João brindou esta sua primeira pega ao Pai, como o próprio fez questão de referir no brinde. Um dos pilares da sua vida, presença assídua em muitas corridas do Grupo e alguém que nunca deixa de nos receber com uma boa disposição contagiante.
Nesta estreia, o João esteve bem em todos os momentos da pega. O toiro não apresentou grandes dificuldades e veio pelo seu caminho.
A liderar o grupo de ajudas ia o Vasco Lobo, que teve uma excelente entrada, com o toiro a empurrar até aos terceiros ajudas, permitindo que o Grupo fechasse mais uma pega.
O nosso “Xixi”, apesar de atualmente dar o seu contributo ao Grupo nas ajudas, esteve muito bem nesta primeira pega e demonstrou ter uma boa margem de progressão.
Para realizar a nossa última pega, mas agora a um novilho de Gregório de Oliveira, a escolha do António recaiu sobre o Simão Comenda.
O Simão teve o privilégio de, na sua primeira fardação, poder pegar pelo grupo da sua terra.
O Simão apresentou-se sempre calmo e a saber o que estava a fazer, apesar de ser a sua primeira pega com a nossa jaqueta. Brindou ao seu pai, João José Comenda, que não precisa de apresentações, dizendo-lhe que é exemplo de vida como pessoa, pai, forcado e amigo. Mais uma vez os pergaminhos do grupo foram mantidos, o Simão esteve bem, como lhe era exigido, e o grupo, de igual forma.
É de realçar que o seu irmão, João Afonso Comenda, rabejou os três toiros e o novilho nessa noite do grupo.
Explicar o que é o Grupo de Montemor nunca é fácil. Mas se há um dia capaz de resumir isso, foi este, vivido em São Cristóvão. Jovens forcados que sonham vestir a jaqueta e pegar toiros, cada um com as suas razões, uns pela instituição e pelo que ela representa, outros pelos amigos, pelo convívio, pelos jantares e pelas memórias que ficam. No fundo só nos resta agradecer, por tudo aquilo que o grupo nos dá e a forma como nos ajuda a crescer como homens. Sempre ouvi dizer que este grupo é uma escola de vida, que forma homens com valores.
Que as próximas gerações continuem a crescer aqui dentro e a manter viva esta instituição.

𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 José Maria Cortes
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2017
Francisco Corrêa de Sá | 1ª Tentativa






Miguel Casadinho | 2ª Tentativa









João Camelo | 1ª Tentativa







Simão Comenda | 1ª Tentativa





