Dia de Portugal, a maior Praça do país cheia e um cartel muito interessante.
Estes foram os ingredientes que fizeram do 10 de junho em Santarém, uma Corrida de época!
Para um Forcado, pegar em Santarém deveria ser um objetivo a cumprir. É a praça que mais põe à prova as suas qualidades e que mais expõe as suas lacunas. Numa arena demasiado grande, mais barulho que o normal – natural por ter o dobro do público – os Toiros têm maior dificuldade em fixar-se, os Artistas mais facilmente se perdem nas distâncias e tudo isto deixa a descoberto quem sabe, ou não, o que está a fazer.
Neste dia, viram-se Senhores a saber estar e um extraordinário curro de Toiros. Alguns com relativa escassez de forças, mas a compensar em bravura e nobreza. Parabéns a todos os intervenientes!
Abriu a nossa atuação o Forcado que maior confiança dá a quem acompanha o GFAM.
Bem cá detrás, como é seu timbre, citou calmo e sereno, transmitindo tranquilidade e segurança.
Com um Toiro bravo, tinha de adequar o cite às suas características, não se perdendo nas distâncias, nem permitindo que o Toiro saísse solto. Com esse receio, acabou por carregar cedo demais. O oponente não reagiu e depois precipitou-se, carregando consecutivamente até o Toiro sair. Ao encurtar demasiado os terrenos, perdeu espaço para cumprir os tempos da pega e acabou por ter de aguentar, recuar e reunir, praticamente num só tempo.
Pela sua boa condição física e por este Toiro permitir, acabou por fazer as coisas um bocadinho à bruta e não teve consequências. A não ser a perda de alguma elegância e suavidade. Ainda assim, a viagem resultou vistosa, com uma excelente entrada dos ajudas, liderada exemplarmente pelo Manuel Campilho.
Como disse ao Zé Maria no final: “Estás numa fase em que dificilmente não vais pegar um Toiro à 1.ª tentativa. Cabe-te tentar fazer isso da maneira mais elegante, artística e suave possível.
Parabéns, Zé Maria.
Parabéns, Grupo de Montemor.
É um privilégio ver-vos com os princípios certos, dentro e fora de praça.
Com a responsabilidade da última pega, acrescida, após três de alto nível, saltou um Forcado da cabeça aos pés.
Em ano de despedida, brindou a sua última pega em Santarém ao Ganadero António R. Brito Paes. Fluente e superior nas palavras, destacou a bravura dos Toiros lidados neste 10 de junho.
A começar onde poucos conseguem, tornou impossível a qualquer aficionado ao Toureio descolar o olhar do seu cite. Cada passo foi tão intencional como elegante. Demonstrou porque citar não é só andar, nem serve para ganhar terreno, mas sim um “bailado” entre Toiro e Forcado, por esta ordem. Ritmado pelos comportamentos do único ser irracional em praça, é acompanhado da reação imediata do Toureiro que tem pela frente: andando; parando; falando mais ou menos, mais alto ou mais baixo; mostrando-se, ou não, mantendo sempre o mesmo objetivo: ser o Forcado a mandar, nunca o Toiro. O Vasco fez isso na perfeição e desfrutou a fazê-lo.
No momento de carregar, não o desculpando, mas conhecendo a dificuldade de medir distâncias nesta praça, precipitou-se. O Toiro dava sinais de querer sair, mas a distância era tanta que no clássico carregar característico do nosso Grupo, era impossível. Talvez, se desse aquelas corridas que por vezes se veem, “comendo” 10 metros de terreno, o Toiro saísse, mas bem, porque um Toureiro não corre em praça, não o fez. Compôs-se, voltou ao cite e, na altura certa, carregou. Acabou por haver um desencontro, porque o Toiro não saiu logo e, quando saiu, o Vasco estava a recompor-se. Ainda assim, pela sua experiência, recuperou bem, conseguiu “sacar-se” e acabou por reunir bem.
A viagem foi longa e emotiva, mas segura, pela consistência do Forcado e pela excelente entrada do Pedro Santos, nas primeiras, e do restante Grupo.
Rabejou os dois Toiros o Joel Santos, de forma categórica.
Parabéns, Vasco.
Tem sido um orgulho acompanhar-te desde o dia um. O teu percurso e dedicação, por estarem inteiramente ligados, têm sido excecionais.
Parabéns ao nosso Grupo, por mais uma “limpinha”!

𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 Francisco Borges
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦 2007 𝘢 2024
José Maria Cortes | 1ª Tentativa







Vasco Ponce | 1ª Tentativa






