𝗠𝘂𝗱𝗮𝗺 𝘀𝗲 𝗼𝘀 𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼𝘀…𝗺𝗮𝘀 𝗺𝗮𝗻𝘁𝗲̂𝗺-𝘀𝗲 𝗮𝘀 𝘃𝗼𝗻𝘁𝗮𝗱𝗲𝘀.
Hoje, Portugal é muito diferente do que era em 1939, em que o “orgulho rural” era símbolo da portugalidade. Foi nesse contexto que nasceu o Grupo de Montemor, formado por jovens ligados à terra e ao gado, que representavam essa identidade.
Hoje, os jovens são sobretudo citadinos, têm pouco contacto com o campo e muitos nem sabem as raças das vacas que veem pela janela dos carros quando circulam nas autoestradas.
Hoje já não existem ferras de gado manso, nem corridas em todas as aldeias de norte a sul do país, e ser forcado deixou de significar andar com a farda às costas todos os fins de semana.
As histórias que hoje ouvimos dos mais velhos — de pegarem três corridas em três dias, das viagens fardados entre corridas, de numa só época os forcados da cara pegarem 15 toiros e o Grupo 35 corridas — não serão mais do que histórias, algo que nos nós nunca poderá vivenciar.
É verdade que os tempos mudaram, mas será que mudaram as vontades?
Passados 86 anos, o Grupo é muito diferente do das décadas passadas – não na sua essência mas na exposição à tauromaquia.
Hoje enfrentamos dificuldades que as gerações anteriores não conheciam: um número reduzido de corridas e Forcados com longos períodos sem pegar, torna-se assim difícil sentirmo-nos verdadeiramente Forcados e viver em pleno esta fase da vida. Fica difícil criar historias, marcar uma geração ou deixar um legado.
Ainda assim, vive dentro de cada um de nós o legado das gerações que nos antecederam, vive a vontade de vestir a jaqueta, de honrar o Grupo e de carregar connosco o legado daqueles que fizeram do Grupo de Montemor o que ele é hoje. Apesar das mudanças e das limitações, a essência do Forcado do Grupo de Montemor permanece intacta e ligadas ao passado, desafia-nos e motiva-nos a preservar o espírito do Grupo para as futuras gerações.
𝗘́ 𝗻𝗼𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗼𝘀 𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼𝘀 𝗺𝘂𝗱𝗮𝗿𝗮𝗺, 𝗺𝗮𝘀 𝗽𝗼𝘀𝘀𝗼 𝗰𝗼𝗻𝘀𝘁𝗮𝘁𝗮𝗿 𝗾𝘂𝗲 𝗻𝗮̃𝗼 𝗺𝘂𝗱𝗮𝗿𝗮𝗺 𝗮𝘀 𝘃𝗼𝗻𝘁𝗮𝗱𝗲𝘀.
𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 António Cortes P. M.
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2013 | 𝘊𝘢𝘣𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2021




