O Grupo de Forcados Amadores de Montemor voltou a marcar presença na Praça de Toiros de Estremoz, numa corrida que desde cedo se adivinhava exigente, com toiros a pedirem entrega e verdade — e assim veio a acontecer.
Neste Concurso de Ganadarias, coube-nos em sorte um imponente exemplar da Ganadaria Passanha, com 610 kg, um toiro da Ganadaria Veiga Teixeira, com 510 kg, e ainda um Passanha Sobral, a acusar 585 kg na balança.
Para abrir praça, saiu à arena o toiro Passanha, bravo e de presença irrepreensível. Chamado à responsabilidade, avançou o forcado Miguel Cecílio.
Depois de uma época em crescendo, afirmando-se cada vez mais como forcado da cara, trazia ainda na memória uma pega menos feliz na sua terra, na semana anterior. Mas, desta feita, tudo foi diferente.
O Miguel tomou conta da situação desde o momento em que pegou no barrete. Citou com calma e classe, carregou o toiro no momento certo e reuniu de forma exemplar, tapando-lhe a cara com autoridade.
As ajudas estiveram muito coesas, lideradas por Pedro Santos, que esteve exímio na sua função, chegando mesmo a ser chamado à praça pelo público.
O segundo toiro da tarde, da Ganadaria Veiga Teixeira, cumpriu na lide e mostrou bravura durante a atuação. A principal dificuldade para a pega estava no facto de ter a córnea mais fechada do que é habitual, um detalhe que normalmente complica o momento da reunião para o forcado.
Para a pega saiu à praça o forcado José Maria Marques, que brindou ao antigo elemento António Calça e Pina. O “Zé Pequeno” é atualmente um dos forcados mais experientes do Grupo e tem vindo, época após época, a mostrar uma evolução consistente. Depois de um final de temporada passada em bom plano, com duas pegas de destaque, voltou agora a demonstrar confiança e boa forma.
Na primeira tentativa, o forcado adiantou-se ligeiramente no momento da reunião, o que fez com que o toiro investisse por cima e impedisse a concretização da pega. Ainda tentou aguentar a investida e lutar com o toiro, mas acabou por sair sem conseguir fechar a pega.
Na segunda tentativa corrigiu o momento da reunião e conseguiu consumar uma pega vistosa, com o toiro investir durante a viagem com a cara por cima e onde o Grupo ajudou de forma coesa e eficaz.
Para encerrar a atuação do nosso Grupo, saiu à praça um toiro de Passanha Sobral, vistoso e com trapio, perante o qual decidi lançar o forcado Manel Carolino.
Apesar da sua ainda curta experiência, o Manel tem vindo a procurar afirmar-se como forcado da cara, revelando serenidade e segurança em frente dos toiros, mesmo quando as coisas nem sempre lhe têm corrido da melhor forma. Muito disso deve-se ao facto de estar a enfrentar toiros já de exigência elevada, circunstância que naturalmente condiciona um processo de aprendizagem e evolução gradual, como é tradição o Grupo proporcionar aos mais novos.
Ainda assim, a resposta do Manel tem sido positiva, razão pela qual me senti confortável em continuar a apostar nele apesar das dificuldades do Toiro
O Manel apresentou-se muito calmo em frente ao toiro, procurando desde cedo mandar na investida. Porém, o Passanha Sobral revelou-se tardio e obrigou-o a pisar terrenos de compromisso. Na primeira tentativa, o forcado saiu no momento da reunião, não permitindo a entrada do Grupo.
Na segunda investida, o toiro saiu solto, muito por culpa de quem, abancado na trincheira como se estivesse ao balcão de um bar, decidiu bater nas tábuas, provocando a sua arrancada à qual o Manel reagiu recuando bem com o toiro, mas acabou por não resistir ao segundo derrote, em chicote de baixo, ficando pendurado e saindo antes da entrada dos segundos ajudas.
À terceira e última tentativa, já sem margem para dúvidas, o Manel consumou a pega com determinação, contando então com o Grupo de ajudas a resolver a situação e a fechar da forma possível a atuação do nosso Grupo.

𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 António Cortes P. M.
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2013 | 𝘊𝘢𝘣𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘥𝘦 2021
Miguel Cecílio | 1ª Tentativa








José Maria Marques | 2ª Tentativa









Manuel Carolino | 3ª Tentativa

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