
Abriu praça, numa das corridas mais importantes do ano, com o maior Toiro da tarde – Canas Vigouroux | 572kg – um dos Forcados mais seguros, regulares e de confiança do nosso Grupo: 𝗩𝗮𝘀𝗰𝗼 𝗣𝗼𝗻𝗰𝗲.
O Vasco é um Forcado, em todos os aspetos, à Grupo de Montemor. Vive o Grupo com a seriedade, respeito e compromisso que esta instituição exige, procura sempre a perfeição, é voluntarioso, disponível e tem uma das características que mais admiro num Forcado: é insaciável! Quer pegar sempre mais e melhor, estar bem fardado, estar melhor fisicamente, ser mais útil, pegar Toiros mais difíceis, em praças mais importantes… tudo onde puder ser melhor, faz por ser!
Além disto, fatores felizmente transversais aos três Forcados que pegaram neste dia – 𝘵𝘢𝘭𝘷𝘦𝘻 𝘱𝘰𝘳 𝘪𝘴𝘴𝘰 𝘰 𝘵𝘦𝘯𝘩𝘢𝘮 𝘧𝘦𝘪𝘵𝘰 – tem um “pormaior” extraordinário: as críticas motivam-no! Sempre que ouve coisas do género “já não dá mais que isto”, nem que seja para o picar, faz uma pega melhor, mais complexa e mais perto da perfeição.
Neste dia, foi o que aconteceu. Com um Toiro escasso de forças, como todos os outros – 𝘰 𝘱𝘪𝘴𝘰 𝘯𝘢̃𝘰 𝘢𝘫𝘶𝘥𝘰𝘶 – esteve perfeito. Desde o salto, ao bonito e elegante brinde. Andou quando devia, da forma diferenciada e artista que o distingue, carregou no momento certo e, num Toiro que exigia que se lhe recuasse apenas na cara, fê-lo muito bem. Reuniu alto e duro, mas bem, num 𝘊𝘢𝘯𝘢𝘴 que pouco humilhava. Fechou-se da forma que o caracteriza, bem trancado e enrolado, conseguindo transmitir segurança às bancadas.
Viagem vistosa, com o Toiro a sacudir, mas nas primeiras tinha o melhor que existe, o nosso Cabo, que ao entrar num derrote brusco, acabou por ser atropelado. O restante Grupo resolveu bem, ainda que com o oponente a fugir ligeiramente aos ajudas e rabejador, que entrou também num momento crucial.
Grande pega para abrir praça, ao nível que o público merece e a transmitir confiança a todo o Grupo.
Parabéns, Vasco.
Parabéns, Grupo de Montemor!
Depois de uma grande pega, que deixou o Grupo com a moral em cima, era importante manter o nível da exibição.
Essa responsabilidade, frente a um Canas Vigouroux com 524kg, foi entregue ao Forcado 𝗝𝗼𝗲𝗹 𝗦𝗮𝗻𝘁𝗼𝘀.
O Joel é um caso raro no nosso Grupo. Veio de outro Grupo, andou um ano com “a mala às costas”, a ser um dos maiores destaques nos treinos e na postura fora de praça. Sempre disponível, pronto para ajudar em tudo e a querer fazer mais e melhor. No primeiro ano em que se fardou, ganhou o prémio de “Forcado Revelação” e, neste momento, ao fim de quase duas épocas, é já um exemplo do que é ser Forcado de Montemor. Não “nasceu” cá, mas parece!
Com um bom, mas sério Toiro, também escasso de forças, o Joel fez tudo o que se exigia. Ao milímetro!
O Toiro chegou à pega muito cansado e era importante deixá-lo descansar, para que investisse de forma franca e nas suas máximas capacidades. O Forcado soube fazê-lo na perfeição.
Andou devagarinho e muito artista, soube mandar e carregar no momento certo, alegrando o oponente. Aguentou muito bem e consentiu da forma que o distingue. É, sem dúvida, o seu ponto forte! Na reunião – 𝘰 𝘮𝘰𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘥𝘦𝘤𝘪𝘴𝘪𝘷𝘰 𝘥𝘦𝘴𝘵𝘢 𝘱𝘦𝘨𝘢 – esteve sublime.
Atrás tinha um Grupo ímpar, chefiado pelo Forcado António Cecílio, que acabou por dar um primeira de volta.
Ajudar de largo e vir montado no Forcado da cara, à procura dos pítons e não se pendurando, não é o mesmo que ajudar carregado e vir pelo ar. Não é também o mesmo que ajudar com os pés colados ao chão, lado a lado, deixando-se atropelar. Ambas as situações anteriores são úteis e têm valor, ambas têm também, para o comum espectador, mais espetacularidade, mas o que o António fez, além de difícil, tem muito mais de artístico. Não é tão vistoso, é verdade, mas é tão bonito… Parabéns, António!
O restante Grupo fechou como tem vindo a ser apanágio e o André Ramalho, agora na função de rabejador, esteve à altura.
Parabéns, Joel.
Parabéns, Grupo de Montemor!
Para fechar praça – 𝘵𝘢𝘳𝘦𝘧𝘢 𝘥𝘦 𝘨𝘳𝘢𝘯𝘥𝘦 𝘳𝘦𝘴𝘱𝘰𝘯𝘴𝘢𝘣𝘪𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦 – saltou um dos pilares do Grupo atual: 𝗝𝗼𝘀𝗲́ 𝗠𝗮𝗿𝗶𝗮 𝗖𝗼𝗿𝘁𝗲𝘀.
A par dos anteriores, é um Forcado à Grupo de Montemor, dentro e fora de praça. Pega, por norma, o Toiro mais complicado e fá-lo com uma calma, classe e garra, soberbas!
Tem vindo a limar o detalhe que lhe faltava, o importante momento de carregar – aguentar – recuar (reunir é com ele!) Com esta evolução, é um dos nomes que, em prol do coletivo, eleva bem alto a fasquia do nosso Grupo.
Neste dia, teve pela frente um Toiro claramente a menos. O último 𝘫𝘢𝘣𝘰𝘯𝘦𝘳𝘰 de Canas Vigouroux, com 520kg, era bom, suave e com boas intenções, mas com algo que podia facilmente descompor um Forcado e comprometer a pega: estava completamente diminuído fisicamente.
Além da pouca força, este Toiro, apesar de não transmitir perigo às bancadas, dava claramente a entender aos mais atentos que, a qualquer momento, se podia inutilizar.
Como fez nos Açores, com o Vasco Ponce, numa situação idêntica, o António preferiu “jogar pelo seguro”.
O Zé Maria deu todas as vantagens ao Toiro, tal como o Grupo. Leu-o na perfeição, citando calmamente, da forma bonita e elegante que o caracteriza.
Quando o Toiro se mostrou pronto, o Forcado carregou, aguentou, recuou e reuniu, tempos que soube cumprir na perfeição!
A liderar o Grupo de ajudas, outro dos Forcados de destaque das últimas épocas: Pedro Santos. O Pedro esteve perfeito! Recebeu de frente, rodou e, num momento em que a maioria se penduraria no Forcado, agarrou-se aos pítons, ficando debaixo do Zé Maria, mas sem nunca se largar e sem nunca o puxar com ele. Que detalhe e que Forcado!
Nas segundas, os experientes Miguel Cecílio e Manuel Campilho, com o Toiro a rodar ligeiramente, fizeram com destaque o que lhes competia.
Destaque também para o Joel, que além da excelente pega que fez, rabejou com classe os outros dois Toiros.
Parabéns, Zé Maria.
Parabéns, Grupo de Montemor!
📝 𝙀𝙨𝙘𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙥𝙤𝙧 Francisco Borges
𝘍𝘰𝘳𝘤𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘦 2007 𝘢 2024













